Yoga

Surya Namaskar em 12 Respirações: drishti e passo a passo seguro para iniciantes

Por Lindalva Dias · Professora de Yoga desde 1999 · Mestra Reiki Usui

23 de junho de 20269 min de leitura
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Você perde o fôlego no meio do Surya Namaskar?

Se ao chegar no cachorro olhando para baixo você já está ofegando ou com ombros ardendo, falta uma âncora simples: contar 12 respirações e direcionar o olhar (drishti). Desde 1999, quando comecei a ensinar, vejo iniciantes ganharem estabilidade imediata quando o movimento passa a ser guiado pelo ar que entra e sai, e o olhar tem um lugar claro para repousar. Hoje eu te mostro um passo a passo clássico, acessível e seguro.

Por que 12 respirações e drishti funcionam

O Surya Namaskar clássico do Hatha Yoga organiza a sequência em 12 movimentos. Cada um deles casa com uma respiração nasal (inspira ou expira). Essa cadência evita pressa, distribui esforço e protege articulações.

  • Respiração manda no movimento: você começa a mover após iniciar a inspiração/expiração, e encerra o gesto junto com ela. Isso reduz trancos e melhora o controle corporal.
  • Drishti (foco do olhar): manter o olhar suave em um ponto estável reduz distração e ajuda o corpo a alinhar naturalmente. Para iniciantes, usamos drishtis simples: polegares, horizonte suave, umbigo, chão à frente dos pés.
  • Efeito no sistema nervoso: mover com respiração nasal contínua tende a baixar a ativação de estresse e melhora a coordenação. Na prática real, você sente menos ofego e mais clareza ao final do ciclo.

Antes de começar: segurança e preparo

Separe 5–7 minutos para aquecer. No Espaço Sol, conduzimos o Surya com zonas de esforço moderado (60–70%). Você deve conseguir falar frases curtas sem perder o ar.

  • Punhos/ombros sensíveis: aqueça com círculos dos punhos, gato-vaca suave e uma ou duas descidas de joelhos ao chão no cachorro.
  • Lombar: mantenha coluna longa e costelas baixas nas extensões (evite empinar as costelas). Ative o baixo-ventre como se fechasse um zíper.
  • Joelhos: nos afundos (lunge), pise largo e, se necessário, apoie o joelho de trás no chão com um cobertor fino.
  • Respiração: apenas nasal. Se já conhece, use Ujjayi leve (sopro sutil pela garganta). Se não, respiração silenciosa está perfeita.

Se você sente dor aguda, tontura persistente ou instabilidade, pare e avalie com um profissional. Adapte sempre que preciso.

A sequência em 12 respirações (lado direito)

Comece em pé, pés paralelos, base estável. Cada linha é um movimento guiado por uma respiração e um drishti sugerido. Faça um lado (perna direita atrás no passo 4), depois repita trocando o lado (perna esquerda atrás).

  • Expira — Pranamasana: mãos em prece ao centro do peito; drishti: polegares. Enraíze as solas dos pés.
  • Inspira — Hasta Uttanasana: braços sobem, leve extensão torácica; drishti: polegares. Glúteos e coxas ativos, costelas baixas.
  • Expira — Uttanasana (flexão à frente): mãos no chão, blocos ou canelas; drishti: ponta do nariz ou chão.
  • Inspira — Ashwa Sanchalanasana (afundo direito para trás): peito abre, joelho esquerdo sobre o tornozelo; drishti: horizonte suave. Pode apoiar o joelho direito no chão.
  • Expira — Phalakasana (prancha): mãos firmes, escápulas ativas; drishti: entre as mãos. Alternativa leve: joelhos no chão.
  • Expira contínua — Ashtanga Namaskara (joelhos-peito-queixo): desça em linha, cotovelos perto do corpo; drishti: ponta do nariz. Alternativa: desça ao chão com controle.
  • Inspira — Bhujangasana (cobra baixa): pés no chão, ombros longe das orelhas; drishti: horizonte à frente. Pubis ao solo, extensão vem do tórax, não da lombar.
  • Expira — Adho Mukha Svanasana (cachorro olhando para baixo): quadris para trás e cima; drishti: umbigo ou joelhos. Joelhos podem ficar levemente flexionados.
  • Inspira — Ashwa Sanchalanasana (traga o pé direito à frente): pise largo, cresça o peito; drishti: horizonte suave. Apoie a mão em bloco, se precisar de espaço.
  • Expira — Uttanasana: junte os pés, solte a cabeça; drishti: ponta do nariz. Distribua o peso entre calcanhares e antepés.
  • Inspira — Hasta Uttanasana: suba com o tronco inteiro, braços acima da cabeça; drishti: polegares. Bassinet de costelas.
  • Expira — Pranamasana: mãos em prece; drishti: polegares. Observe o pulso e a respiração.

Repita trocando os lados (na quarta respiração, a perna esquerda vai para trás; na nona, a esquerda vem à frente). Isso fecha um ciclo simétrico.

Tempo de cada respiração

  • Conte 4–5 segundos para inspirar e 4–5 segundos para expirar. Se ficar ofegante, reduza amplitude dos movimentos.
  • Evite prender o ar entre passos. Iniciantes respiram sem retenções.

Ajustes-chave que protegem seu corpo

  • Mãos que “abraçam” o chão: aperte levemente polegar e indicador no solo. Isso descarrega punhos e protege ombros.
  • Coluna longa antes de flexionar: em Uttanasana, alongue as laterais do tronco a cada expiração; dobre os joelhos se a lombar puxar.
  • Prancha forte é prancha curta: mãos sob ombros, calcanhares para trás, abdome firme. Se ceder, desça os joelhos.
  • Cobra é peito que avança: pressione o topo dos pés, traga o esterno para a frente e para cima. Ombros para baixo e para trás, cotovelos flexionados.
  • Cachorro com joelhos macios: priorize a coluna alongada. Depois, se sobrar, conduza os calcanhares em direção ao solo.
  • Afundo com espaço: passo longo o suficiente para o joelho da frente não ultrapassar o tornozelo. Pelve neutra, sem “desabar” na virilha.

Microprogressão de 2 semanas (realista)

  • Dias 1–3: 2 ciclos completos (direito e esquerdo) lentamente. Foque em respiração contínua e drishti. 6–8 minutos.
  • Dias 4–7: 3 ciclos. Introduza Ujjayi leve se já conhece. Anote o que cansa primeiro (ombros, punhos, fôlego) para ajustar.
  • Dias 8–10: 3–4 ciclos. Trabalhe saídas e entradas do cachorro com joelhos dobrados e foco no alongamento da coluna.
  • Dias 11–14: 4 ciclos. Refine os drishtis e a transição prancha → ashtanga namaskara com controle. Se cansar, intercale uma Balasana curta.

Consistência vence intensidade. Melhor 10 minutos diários com boa técnica do que um treino longo e apressado no fim de semana.

Erros comuns (e consertos rápidos)

  • Segurar o ar nas transições. Conserto: inicie o movimento junto com o começo da respiração e termine com ela; reduza a amplitude se faltar ar.
  • Ombros subindo para as orelhas. Conserto: ative escápulas para baixo e para fora; pense em “alargar” o peito.
  • Colapsar na lombar na cobra. Conserto: mantenha o pubis pesado no solo e a extensão começando no esterno; menos é mais.
  • Punhos doloridos no cachorro. Conserto: espalhe os dedos, empurre com polegar/indicador, dobre levemente os joelhos e leve mais peso aos pés. Use blocos ou apoios se necessário.
  • Pisar curto no afundo. Conserto: traga o pé à frente em 2 passos se preciso; use blocos nas mãos para criar espaço.
  • Descer “em bloco” na prancha. Conserto: para iniciantes, joelhos ao chão antes de descer peito e queixo (ashtanga namaskara).

Quando evitar ou adaptar

  • Pressão alta não controlada: evite prender a respiração e grandes extensões; pratique devagar e com supervisão.
  • Síndrome do impacto no ombro: prefira joelhos no chão na prancha e desça com controle; amplitude menor nas extensões.
  • Tontura ao levantar: suba devagar das flexões, com joelhos dobrados; faça pausas em pé entre os passos.
  • Gravidez: após o primeiro trimestre, evite compressões abdominais profundas e pranchas longas; prefira variações na parede ou com cadeira.

Se houver histórico de cirurgia recente, dor aguda ou dúvida sobre uma adaptação, fale com seu médico e converse conosco para ajustar.

Experimente na prática

Quer sentir essa estabilidade das 12 respirações ao vivo? No Espaço Sol, no Guará I (Brasília-DF), conduzimos o Surya Namaskar com atenção clínica aos detalhes que protegem seu corpo — desde 1999. Sua primeira aula é gratuita.

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Lindalva Dias

Professora de Yoga desde 1999 e fundadora do Espaço Sol. Mestra em Reiki Usui, especialista em Yogaterapia Hormonal.

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