Yoga

Surya Namaskar com Cadeira e Blocos: passo a passo seguro para iniciantes

Por Lindalva Dias · Professora de Yoga desde 1999 · Mestra Reiki Usui

3 de junho de 20269 min de leitura
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Quando encostar as mãos no chão ainda não rola: Surya Namaskar com suporte

Se você quer aprender a Saudação ao Sol, mas sente que os punhos reclamam, a lombar trava ou a mobilidade ainda não acompanha, vamos por um caminho inteligente. Com uma cadeira firme e dois blocos (ou substitutos caseiros), você pratica o Surya Namaskar completo, com respiração guiando cada movimento — sem forçar e com estabilidade. Desde 1999, vejo iniciantes ganharem confiança mais rápido quando trocam expectativa por estratégia: suporte bem usado é progresso, não muleta.

Por que usar cadeira e blocos no Surya?

  • Reduz a distância até o chão, poupando punhos, posteriores de coxa e lombar
  • Cria ângulos articulares mais amigáveis para ombros e pescoço
  • Permite foco na respiração e no ritmo, sem “brigar” com a gravidade
  • Dá repetibilidade: você percebe melhorias semana a semana em alcance, equilíbrio e fluidez

Pesquisas simples em movimento e dor mostram que quando você se sente seguro(a) para se mexer, o corpo libera proteção excessiva e a prática rende mais. Em português claro: estabilidade primeiro, amplitude depois.

Monte seu espaço (2 minutos)

  • Cadeira firme, preferencialmente com encosto apoiado na parede para não escorregar. O assento deve ficar estável e na sua frente, a um passo de distância.
  • Dois blocos de yoga ao lado do tapete, em altura alta (na vertical). Sem blocos? Use dois livros grossos e estáveis, embrulhados em uma toalha.
  • Pés descalços, tapete que não deslize. Se houver tontura, mantenha um ponto fixo na altura dos olhos.

A respiração que conduz

  • Regra simples: inspirar quando o peito se abre ou você cresce; expirar quando dobra, fecha ou empurra o chão.
  • Ritmo sugerido: 1 movimento = 1 respiração. Faça cada transição no tempo da sua respiração, não da pressa.
  • Nariz sempre que possível. Se conhece o Ujjayi, use leve; se não, apenas mantenha a exalação um pouco mais longa que a inalação.

Passo a passo: Sequência Base com Cadeira (sem chaturanga)

Esta versão evita flexões no chão e usa a cadeira como “chão elevado”. Faça 3 a 6 voltas, trocando o lado do avanço do passo a cada ciclo.

  • Inspire — Postura Inicial: pés na largura do quadril, mãos ao longo do corpo. Alongue a coluna como se houvesse um fio puxando o topo da cabeça.
  • Expire — Braços sobem pela frente até acima da cabeça, ombros longe das orelhas. Pelve neutra, joelhos macios.
  • Inspire — Cresça, abrindo o espaço entre costelas e quadris, olhar suave à frente.
  • Expire — Dobre a partir dos quadris e leve as mãos ao assento da cadeira. Ajuste a distância dos pés até sentir que a coluna se alonga sem arredondar.
  • Inspire — Meio alongamento: pressione levemente as mãos no assento, estenda a coluna à frente (como uma mesa), nuca longa.
  • Expire — Passo para trás em Prancha Inclinada: leve um pé e depois o outro para trás, mãos firmes no assento, corpo em linha da cabeça aos calcanhares. Ative pernas e abdome.
  • Inspire — Estabilize: empurre o assento, abra clavículas, mantenha o pescoço neutro.
  • Expire — Cachorro Olhando para Baixo Inclinado: empurre o assento e leve o quadril para trás e para cima, formando um V alongado entre tronco e pernas. Joelhos podem dobrar.
  • Inspire — Passo à frente em Avanço: traga o pé direito entre as mãos até próximo do assento; se precisar, ande com o pé em dois tempos. Joelho de trás pode pousar no chão (opção mais estável).
  • Expire — Assente a base: joelho da frente sobre o tornozelo, quadris neutros, mãos seguem no assento.
  • Inspire — Abra o peito no avanço: estenda a coluna, pescoço longo, respiração fluida.
  • Expire — Traga o pé de trás para junto do da frente e dobre o tronco sobre as pernas, ainda com as mãos no assento (Dobra apoiada).
  • Inspire — Suba desenrolando pelos quadris: solte as mãos da cadeira, acione as pernas e erga os braços pela frente até o alto.
  • Expire — Braços ao longo do corpo. Repita avançando o pé esquerdo na próxima volta.

Dica de conforto: se a prancha inclinada pesar nos ombros, caminhe 1 passo a mais com os pés para frente, aumentando o ângulo e reduzindo a carga.

Onde entram os blocos (ou livros)

Use os blocos para explorar a dobra à frente no chão, sem perder alinhamento lombar.

  • Na fase de Dobra à Frente (após trazer os dois pés para junto), leve as mãos aos blocos posicionados à frente dos pés, altura alta.
  • Inspire no meio alongamento: desça os blocos um nível se a coluna se mantiver longa e a nuca livre. Se arredondar, suba novamente.
  • Expire retornando as mãos ao assento da cadeira para transitar com estabilidade até subir.

Com o tempo, você alterna: primeira metade do ciclo usando a cadeira; segunda metade, mãos nos blocos. É assim que educamos o corpo a ganhar alcance sem “puxar” a lombar.

Quatro checkpoints que organizam tudo

  • Base dos pés: pressione igualmente calcanhares e a base do dedão. Dedos relaxam, joelhos não colapsam para dentro.
  • Mãos firmes: na cadeira, espalhe os dedos e empurre como se quisesse afastar o assento; isso protege punhos e ombros.
  • Pelve neutra: evite empinar ou achatar a lombar nas transições. Pense em “costelas que se fecham suavemente” ao expirar.
  • Pescoço longo: olhar no horizonte em pranchas e avanços; no cachorro inclinado, orelhas entre os braços, queixo paralelo ao chão.

Erros comuns (e como corrigir já)

  • “Forçar” a testa ao assento: troque por alongar a coluna primeiro. A dobra acontece nos quadris, não nas vértebras lombares.
  • Prancha com quadris muito baixos: suba um pouco o quadril e ative abdome e pernas até sentir o corpo em linha.
  • Ombros nas orelhas: empurre as mãos e deslize as escápulas para baixo e para trás, como quem abre o peito.
  • Segurar a respiração: reduza a amplitude dos movimentos até conseguir inspirar e expirar de forma contínua.

Progressão realista em 4 semanas

  • Semana 1: 3 voltas lentas por dia, dia sim dia não. Use sempre a cadeira no apoio das mãos.
  • Semana 2: 4–5 voltas. Introduza os blocos na dobra final e no meio alongamento. Comece a alternar cadeira e blocos.
  • Semana 3: Aumente um pouquinho o ritmo, mantendo a forma. Se estiver estável, experimente uma transição da prancha inclinada para um cachorrinho inclinado com os calcanhares chegando mais ao chão (joelhos ainda podem dobrar).
  • Semana 4: 6–8 voltas. Se o corpo pedir, faça 1–2 voltas sem a cadeira, apenas com blocos. Sem dor de punhos ou lombar? Parabéns: a base está pronta para aprender Chaturanga com técnica — de preferência com orientação.

Consistência vence intensidade. Cinco a dez minutos diários valem mais do que uma sessão longa e esporádica.

Quem deve ajustar (ou conversar antes)

  • Hipertensão não controlada: evite prender a respiração e suba devagar das dobras. Prefira ritmo suave.
  • Labirintite ou tonturas: mantenha o olhar num ponto fixo, reduza a amplitude das dobras e use a cadeira o tempo todo.
  • Punhos sensíveis: quanto mais vertical o tronco nas apoios, menor a carga. Aproxime os pés da cadeira para aliviar.
  • Gestantes: após o primeiro trimestre, aumente a base dos pés, evite compressão abdominal nas dobras e privilegie a abertura de peito.

Se houver dor aguda ou sintomas persistentes, pare e avalie com um profissional.

Por que isso funciona

Ao elevar o “chão”, você diminui a alavanca que puxa a lombar, organiza melhor o úmero na cavidade do ombro e convida a respiração a trabalhar junto. O cérebro percebe segurança, solta a guarda e a mobilidade aparece. Parece simples — e é. Simples e eficiente.

Experimente na prática

No Espaço Sol, no Guará I (Brasília-DF), conduzimos esta versão do Surya Namaskar com cadeira e blocos para iniciantes, pessoas em retorno ao movimento e quem quer refinar técnica sem dor. Você pode agendar sua primeira aula gratuita e sentir a diferença no corpo, na respiração e no ânimo do seu dia.

Fale comigo no WhatsApp (61) 99806-9885. Será um prazer te receber no nosso estúdio e caminhar com você, passo a passo, nessa prática que nos acompanha desde 1999.

Lindalva Dias

Professora de Yoga desde 1999 e fundadora do Espaço Sol. Mestra em Reiki Usui, especialista em Yogaterapia Hormonal.

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